A arte de eternizar a luta pela vida pelas câmeras

Praticar a solidariedade através da lente, eternizar histórias e olhares de pessoas que estão em tratamento oncológico em fotografias e compartilhar seu talento e saberes com eles para que a prática da eternidade através da arte seja comunitária. Essa é a missão que a fotógrafa Cíntia Guimarães realiza como voluntária no Hospital do Câncer em Uberlândia. 

No começo de seu trabalho voluntário, Cíntia achou que não fosse dar conta das funções, “tínhamos acabado de descobrir que meu sobrinho estava com câncer e, apesar de sempre querer realizar um trabalho social, fiquei com receio de não conseguir”, conta. Aos poucos, essa percepção foi mudando. 

Seu primeiro trabalho foi na brinquedoteca do Hospital. Segundo a fotógrafa, ela auxiliava as crianças e suas famílias com aparelhos tecnológicos, além de atividades artísticas: “Toda semana a gente realizava alguma atividade focada em fotografia. Eu os ensinava não só a mexer na câmera, mas também tirar fotos pelo celular”. Cintia lembra com carinho do projeto desenvolvido no Rio Uberabinha com os pacientes infantojuvenis do Hospital, que acabou se transformando em um livro ilustrado. “Jamais vou esquecer esse projeto. A alegria das crianças era visível”, lembra. 

Após vários trabalhos especiais desenvolvidos na brinquedoteca do Hospital do Câncer, o voluntariado de Cintia deu um próximo passo. Ela resolveu organizar um grupo de fotografia para os pacientes adultos e o resultado não poderia ter sido melhor. A adesão de algumas pacientes fez com que o projeto se transformasse em mais do que grupo de mulheres entusiastas da fotografia, iniciava ali uma comunidade de pacientes que tiravam inspiração na arte de fotografar para enfrentar seus tratamentos.

Ivani dos Reis é uma das participantes do grupo. Ela tem 60 anos e trata um câncer de mama no Hospital do Câncer em Uberlândia. De acordo com ela, o grupo organizado por Cintia a ajudou a superar os momentos mais delicados do tratamento oncológico: “foi fundamental na minha recuperação, me fez fugir um pouco do círculo hospitalar, fiz novos amigos e aprendi a ter um outro olhar para o meu redor, ver a beleza do pôr do sol e do desabrochar da flor”. Ivani ainda ressalta sua gratidão: “Não tenho palavras pra expressar a  minha  gratidão  por pessoas  tão especiais que tiram um pouco do seu tempo para estar conosco. O sorriso da Cintia é tão sincero que ameniza até a dor” e finaliza dizendo que compartilhar conhecimento é ato de amor.

Atualmente, assim como 100% do trabalho voluntário dentro da instituição, os atos de solidariedade de Cintia em prol dos pacientes estão suspensos por causa da pandemia, fato que a chateia bastante, “sinto muita falta de estar dentro do Hospital”. E para ela que um dia ficou receosa se seria capaz de compartilhar seus valores com os pacientes, hoje tem a certeza de que é uma vocação que quer levar para muito tempo: “ser voluntário não é ficar em observação, é uma missão que requer constantes ações de doação. Doação de tempo, amor, carinho, compreensão.”

Emocionada, Cintia assume que se tornou uma outra pessoa depois que começou o trabalho voluntário em prol do paciente oncológico do Hospital do Câncer em Uberlândia, “sinto que construí uma coisa muito especial com todos que tive contato. Era uma troca linda de carinho e amor, ser voluntária no Hospital do Câncer me inspira”. 

O Hospital do Câncer em Uberlândia agradece todo o apoio, carinho, atenção e empenho de Cintia Guimarães em todos esses anos de voluntariado em prol dos pacientes oncológicos. A forma como a fotógrafa inspira os pacientes a passarem por seus tratamentos através da arte é de uma generosidade imensa. 

Contamos com você nos próximos caminhos na luta contra o câncer. 

 

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