A infância em Uberlândia – a história de Leomar

Menino com 13 anos, morando na roça, só quer saber de andar descalço, correr, montar no cavalo e jogar bola com os amigos. Definição de como era a vida de Leomar Ricardo de Araújo lá em 2001. O jovem garoto, mesmo com a pouca idade, também já tinha suas responsabilidades na fazenda e foi por conta de uma delas que percebeu que algo estava errado. “Eu fui apartar o gado em um dia a tarde e não dei conta. Fechei as vacas no curral e deitei lá, aí quando eu acordei minha mãe tinha chegado pra me procurar. Disse a ela que estava mal, sem forças”, comenta Leomar.

Isto era final de 2001 e Leomar começava a ter alguns sintomas de que algo mais grave poderia estar por vir. Alguns dias de febre, indisposição e até jogar futebol estava ficando difícil. “Eu fui jogar bola, joguei três, quatro minutos e não consegui mais, aí eu sentei e comecei a chorar falando que tinha algo errado comigo. Não dava conta de fazer nada”. Além disso, começaram também a surgir alguns caroços pelo pescoço e isto foi ainda mais um sinal de alerta.

Leomar então foi para Monte Carmelo, cidade próxima da onde morava, e fez alguns exames. De lá, foi encaminhado à Uberlândia para fazer outros mais específicos e descobrir então o que passava com aquela criança que antes não parava quieta. “Leucemia. Descobri meu câncer em 25 de janeiro de 2002. Eles me internaram no Pronto Socorro e só dois meses depois eu fui entender o que que era, eu nem sabia. Eu fiquei 27 dias na UTI, tomei minha primeira quimio e depois fui descobrir. O paciente do lado tinha comentado e aí eu perguntei para minha mãe: ‘eu estou com câncer?’. Ela me falou que sim e foi me explicando”, relembra.

Durante três anos, a vida de Leomar foi entre as sessões de quimios e as muitas risadas e amizades pelos corredores do Hospital. “Dr. Rogério danava muito com a gente pela bagunça que fazíamos, eu era muito brincalhão dentro daquele Hospital. Tenho amizade até hoje com médicos, enfermeiros, eles foram um pai e uma mãe pra mim”.

O melhor de tudo foi quando as brincadeiras passaram a ter um lugar para serem feitas. Leomar estava lá em 2003 quando a brinquedoteca do Hospital do Câncer foi inaugurada. “Foi ótimo, porque a gente tinha um lugar para brincar, pra passar o dia. Quando inaugurou deu até problema, porque me chamavam para a consulta e eu não queria sair de lá não, queria ficar brincando. Foi muito bom na época e ali virava ponto para sempre encontrar os amigos”.

De lá até hoje, se passaram quase 20 anos, Leomar está bem, saudável, com dois filhos, mas também com muitas recordações sobre sua infância em Uberlândia. “A gente sente até saudades das coisas boas que fazíamos lá. É igual eu falo, tudo na vida pode ser ruim, mas no dia que acabar, alguma coisa de bom vai ter ficado daquilo. Quando eu venho a Uberlândia, eu passo lá, vejo algumas das enfermeiras que cuidaram de mim. Foi uma luta difícil, mas eu peguei como um aprendizado da vida.”

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