A luta pela vida além do câncer

“Uma das lembranças mais fortes que tenho é de estar sentado em um consultório com minha mãe e ver ela chorando. Os médicos tinham acabado de dizer que eu tinha pouco tempo de vida”, lembra Lucas Faria da Silva, emocionado, quando foi paciente do Hospital do Câncer em Uberlândia aos 5 anos de idade para tratar um Linfoma de Hodgkin, um tipo da doença que se desenvolve no sistema linfático. 

Atualmente, Lucas possui 25 anos e é um grande entusiasta da arte de viver. “Sou muito feliz por tudo que já vivi e continuo vivendo”, ele afirma. Seu grande sonho é casar e constituir uma linda família. O analista financeiro reconhece que a esperança e a força que possuía aos cinco anos de idade foram grandes operadores da cura durante seu tratamento oncológico. Entretanto, ele não deixa de lembrar os tempos difíceis que passou quando ainda era criança. 

Em 2000, após identificar cinco nódulos na região cervical de seu corpo, Sheila, mãe de Lucas, levou o filho para realizar alguns exames e por meio de um deles, o temido diagnóstico foi revelado: o garoto estava com câncer. “Nós não tínhamos condição nenhuma em custear um tratamento oncológico, éramos só eu e minha mãe naquela época”, conta. Logo em seguida, no ano de inauguração do Hospital do Câncer em Uberlândia, ele iniciou o tratamento na instituição. No total, foram seis ciclos de quimioterapia e trinta de rádio.

Voltando vinte anos na sua história, Lucas lembra momentos delicados durante seu tratamento, mas é muito grato por tudo que viveu dentro do Hospital do Câncer. “Ficamos amigos de várias pessoas que trabalhavam dentro do Hospital. Sou grato por cada pessoa que conheci lá dentro, Dr. Rogério e Dra. Valéria, o enfermeiro Gustavo…”. Ele lembra que o atendimento da instituição foi muito importante, em um momento onde suas maiores fontes de força, mesmo que sua pouca idade não deixasse muito evidente, eram em Deus e na mãe, sua única companhia. 

Depois de ter tratado a doença no Hospital do Câncer em Uberlândia, Lucas foi acometido pelo câncer outras duas vezes. Questionado sobre como é olhar para trás e ver o caminho já percorrido, ele demonstra uma corajosa ânsia de existir: “a sensação de estar vivo é muito boa. Me faltam palavras para descrever a sensação de saber o nosso lugar no mundo”. 

Aos que estão iniciando suas batalhas contra o câncer, o recado do jovem é que acreditem no porvir! “É difícil ficar preso em uma sala de tratamento, mas a esperança e a fé devem ser maiores”, e continua, “e para aqueles que não são pacientes, é importante dizer que a contribuição de qualquer valor faz muita diferença para quem está lá dentro”. 

Entre sonhos altos, desejos cada vez mais intensos de viver e alguns riffs apaixonados de guitarra, Lucas continua sua caminhada mais resiliente do que nunca. Sabendo de tudo que já passou, ele confia que o porvir há de ser melhor e as incertezas dos caminhos da vida reservam dias de muita alegria.

 

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