A generosidade no ambiente hostil – A luta pela vida de Rosângela

Em um momento em que se isolar pode salvar vidas, escutar histórias de força coletiva nos leva para os momentos nostálgicos dos encontros. Rosângela de Meireles é mãe de todos e escolheu viver a vida em prol de seus amores, o que foi intensificado após o miraculoso nascimento de sua Giovana, há 18 anos. Porém, se por um lado ela se encontra no coletivo, no outro, a mulher de 44 anos assume que deixou de viver a sua individualidade em alguns momentos. Há 2 anos, quando descobriu um câncer de mama, esse mergulho dentro de si foi inescapável. Começava ali mais um capítulo de sua generosa, porém árdua, jornada. 

À princípio era apenas uma protuberância, uma espécie de espinha, na sua mama esquerda. Tentou espremer, não deu muito certo. Levou para sua mãe e sobrinha verem… nada. Seu próximo passo foi fazer alguns exames: na primeira tentativa, nenhum diagnóstico, na segunda, foi apontado que estava tudo bem. Enquanto isso, o caroço que aumentava motivou Rosangela a continuar tentando. Na terceira bateria de exames, o médico sugeriu uma biópsia. “Quando ele foi me dar o resultado, senti que ele estava dando muita volta. Eu logo falei pra ele desembuchar e falar quais eram os próximos passos do tratamento”, lembra ela bem humorada. 

Rosângela conta que sempre foi bem resolvida com as adversidades que a vida lhe reservou, “o que não quer dizer que foi fácil”. “Quando recebi o diagnóstico de câncer, não senti medo e nem dúvida. Eu iria fazer o que tivesse que ser feito”, ela conta. Mas como ela não vive sozinha, a profissional de RH levou a notícia para sua filha. Giovana afirma que não queria acreditar no que estava acontecendo: “Tive medo de perder minha mãe, mas ao mesmo tempo, eu me propus a ser forte por ela”. 

Rosângela com o maior amor de sua vida, sua filha Giovana, de 18 anos.

A partir de um câncer, Rosângela começou a viver sua individualidade. Se antes cuidava, agora passou a ser cuidada, raspou os cabelos que nunca a fez satisfeita, começou a ser amparada e abraçada mesmo em tempos desfavoráveis. “Quando a notícia chegou, eu fui bastante acolhida. Mas os dias passam e as pessoas voltam para suas rotinas”, lembra. Nesse momento, ela encontrou o amparo dentro do Hospital do Câncer em Uberlândia. 

Entre as duas cirurgias, dezesseis sessões de quimio e trinta sessões incompletas de radioterapia, ela conta que encontrou muito carinho e acolhimento dentro da instituição. Cheia de gargalhadas, ela conta que o tratamento está acabando, mas que já está com saudade. 

De todos os clichês mais generosos e necessários que Rosângela levava para sua vida, talvez o maior deles ainda não tinha sido explorado: o amor próprio. Aliás, a generosidade é a maior qualidade da mãe de 44 anos e, como sabemos, essa característica só é possível existir em relação a algo ou alguém. Rosângela vive em relação a todos que estão dispostos a aceitar amor, franqueza ou até um café com um delicioso pedaço de bolo de maracujá da horta de sua mãe, que este vos escreve experimentou. Generosidade é para poucos e Rosângela é para muitos. 

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