Ana Cláudia: dedicação na vida e no trabalho

Compartilhe:

Se para definir uma pessoa fosse escolhida uma palavra para a secretária da diretoria do Grupo Luta Pela Vida, Ana Cláudia Pavarine, a melhor delas seria dedicação. Essa característica a acompanha desde a infância e nos mais diferentes papéis que ela exerce, seja como mãe, filha, esposa e no profissional.

Sua ligação forte com a mãe conduz boa parte dos caminhos que ela traçou. Ana Cláudia nasceu em uma família de seis irmãos sendo criada pelas mãos fortes e carinhosas de sua mãe. Da máquina de costura que trabalhava noite e dia, Ana Claudia viu sua mãe sustentar e dar amor a todos os filhos. “Ela era pai e mãe. Ela encontrou na costura uma forma de prover a família e não tirar os olhos dos filhos. Minha mãe cuidou de nós com muito amor. Ela era muito firme, mas nós sentíamos o amor dela”, relembra.

O exemplo forte vindo da mãe ajudou Ana Cláudia a se dedicar aos estudos e ao trabalho para buscar uma vida melhor e retribuir todo o cuidado que recebeu. Aos 17 anos, com a finalização do ensino médio, Ana partiu para o mercado de trabalho a fim de ter a própria renda e ajudar em casa. Ela correu atrás para conquistar o primeiro emprego, que foi o armazém Martins. Mesmo trabalhando ela queria também continuar os estudos, que agora precisariam ser no período da noite. Como Ana adorava português, optou por fazer Letras no período noturno na Universidade Federal de Uberlândia.

Nas duas jornadas Ana Cláudia buscou se dedicar para alcançar bons resultados. No primeiro trabalho ela entrou como auxiliar administrativo e quando acabava seu trabalho ela buscava ajudar em outras funções na empresa para aprender. Esse é um dos primeiros momentos que a dedicação de Ana Cláudia começa a render frutos e fazer com que realize sonhos. Sua vontade de conhecer outras funções na empresa faz com que seus superiores vissem seu esforço e talento e a promovessem no trabalho e crescesse nos cargos.

Com dois anos de emprego, Ana pode realizar um de seus grandes sonhos: juntar dinheiro para comprar uma casa própria para sua mãe. “Eu tinha esse grande desejo dentro de mim. Conversava muito com Deus para me ajudar a realizar esse sonho e dar uma casa para minha mãe. Queria retribuir um pouco todos os esforços e o carinho que ela sempre teve comigo e com a nossa família”, conta. Ana Cláudia diz que a sensação de poder dar um presente especial para mãe foi indescritível.

A trajetória no primeiro emprego, que durou 10 anos, só foi interrompida para que ela pudesse se dedicar a outro papel que Ana Claudia tem tanto orgulho em exercer: ser mãe. “Com o nascimento do meu primeiro filho eu queria viver o meu maior sonho, que era ser mãe. Eu queria viver plenamente aqueles primeiros momentos de mãe e filho. Queria poder amamentar meu filho, porque acho que esse é o laço mais forte que pode ter”, diz Ana, que optou por sair do trabalho para viver esse momento.

Ana Claudia considera sua família, que é formada por seu esposo e os dois filhos, sua maior conquista. “Abaixo de Deus a minha família é meu grande tesouro. Para mim é muito bom exercer esse papel. Toda família passa por atribulações, mas é uma grande satisfação ver que conquistei uma família tão abençoada”, diz Ana Cláudia, com o olhar cheio de orgulho.

Para conciliar o papel de mãe, Ana Cláudia deu aula por três anos para alunos de ensino médio e também para adultos. Ela trouxe a calma e sua gentileza que transparece até na voz para lecionar português, redação e literatura. Mas o seu momento profissional mais marcante e duradouro estava por vir.

Sua história com o Grupo Luta Pela Vida e o Hospital do Câncer começa quando Ana Cláudia presta um concurso para trabalhar na FAEPU (Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia). No concurso com 600 vagas, ela passou em primeiro lugar. Após a contratação, em janeiro de 1996, informaram que ela trabalharia no Grupo Luta Pela Vida. “Eu sabia muito vagamente o que era o Grupo Luta Pela Vida. Ai eu pensava, nem existe Hospital, que trabalho será esse?” relembra Ana. Ela foi orientada a procurar o então professor Clóvis Albuquerque, um dos fundadores do Grupo, no escritório da ONG que na época ficava no Griff Shopping. “No primeiro encontro com o Clóvis ele me contou sobre o objetivo do Grupo de construir o Hospital do Câncer em Uberlândia e que eles iriam precisar muito de mim. Naquele momento eu vi o tamanho da minha responsabilidade e só pensava como eu poderia colaborar”, conta. Ana Cláudia relembra também que na época o Grupo já havia tentado contratar duas pessoas antes delas, que não se adequaram a responsabilidade e dedicação do cargo. “Naquele primeiro dia eu já falei para o Clóvis que ele poderia ficar tranquilo que eu daria o meu melhor no trabalho”, recorda. O Grupo ganhava ali sua primeira funcionária, cheia de vontade de trabalhar e ajudar na luta contra o câncer.

De lá para cá já são 21 anos ininterruptos de trabalho no Grupo Luta Pela Vida. Juntamente com a diretoria do Grupo, Ana Claudia viveu e fez parte de todas as lutas, desafios e vitórias que fizeram o Hospital do Câncer em Uberlândia se tornar realidade. Por dois anos ela foi a única funcionária do Grupo, cuidando desde contatos com algumas empresas e instituições, fazendo as atas de reuniões até a organização dos boletos bancários. “Toda vez que falávamos com bancos ou empresas a gente falava com o coração e mostrávamos como a condição era precária e como era importante construir o Hospital do Câncer”, relata.

Ana Cláudia ainda lembra como foi a época durante a construção do Hospital em que a solidariedade da população não deixava o projeto parar. “Quantas vezes tínhamos uma conta de quatro mil reais que precisava ser paga e não tínhamos dinheiro e já ficávamos preocupados. Ai de repente uma pessoa entrava no escritório falando que queria ajudar a construir o Hospital e fazia um cheque de quatro mil reais”, relembra. Outra função que Ana Cláudia assumiu e que exerce até hoje é de coordenadora do McDia Feliz em Uberlândia, uma das fontes de recursos para melhorar o Hospital. Hoje, quando a secretária relembra toda a trajetória percorrida, as conquistas com o atual prédio do Hospital do Câncer e construção da Unidade 2 ela se emociona. “É muito lindo viver todas essas vitórias. Vejo hoje que Deus deu um pequeno talento para nós e que não desistimos dele, que buscamos multiplicá-lo para o bem”, afirma.

Quando perguntada o motivo por estar há 21 anos no mesmo emprego, Ana Cláudia tem a resposta na ponta da língua. “São vários motivos que fazem estar aqui. Primeiro pelo amor à causa, depois pelo amor a esses diretores, porque quando você se liga a eles é para sempre. Somente uma vez eu pensei em me afastar, mas quando disse isso para o Fernando Ferreira, presidente na época, ele falou que eu não podia sair, porque se eu comecei junto com eles eu terminaria junto com eles”, relembra com emoção. Para Ana Cláudia trabalhar no Grupo Luta Pela Vida não é como trabalhar em qualquer outra empresa. “Aqui é uma relação de muito respeito e amor. Eu não vejo aqui como um emprego, eu vejo como uma segunda família que Deus me deu”, afirma.

Para buscar cada vez mais dedicação e para agradecer todas as vitórias, Ana Cláudia encontra na fé o seu refúgio. Além de crer muito em Deus e na Bíblia, Ana também exerce uma função importante, sendo pastora há 14 anos. “Antes somente meu marido era pastor, então naquela época eu era só a ‘esposa do pastor’. Até que um dia um outro pastor muito querido me disse que eu precisava ir além e ouvir o meu chamado”, conta. Para Ana Claudia sua fé a faz superar as dificuldades e seguir em frente. “Sempre digo em minhas pregações como é importante contar com o apoio de Deus, pois quando me sinto fraca ou tenho problemas, sei que posso confiar que ele vai me ajudar a continuar a minha caminhada”, conclui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *