Dia Internacional da Mulher – A história de Maria Lúcia e seu encontro com a pluralidade de ser mulher

O Hospital do Câncer recebe centenas de pacientes oncológicos, seus familiares e acompanhantes todos os dias. São centenas de histórias de vida diferentes que se esbarram pelos corredores da instituição na busca por um novo capítulo em suas jornadas. Hoje, em especial, é dia de celebrar as histórias das mulheres sonhadoras, esperançosas, destemidas, que reconhecem e aceitam suas fraquezas, mas que sabem transformá-las em sentimentos de fortaleza. 

Uma dessas mulheres é Maria Lucia de Lima, de 59 anos, que carrega consigo a pluralidade da mulher brasileira. Nascida e criada no Ceará, Lúcia, como gosta de ser chamada, veio para o sudeste para proporcionar uma vida melhor para seus filhos. Em 2003, chegou em Uberlândia e aqui encontrou seu lar, um lugar que ela mesma descreve como tranquilo e perfeito para criar seus filhos. Mas sempre existiram os desafios. 

Ao chegar na cidade, Lúcia teve dificuldade para encontrar um emprego que conseguisse prover toda sua necessidade e, após batalhar, se encontrou como cozinheira industrial. Ela conta que é um emprego pesado, que desenvolve muitas dores nos braços e nas costas e foi em um desses momentos de dor, que Maria Lucia resolveu procurar auxílio médico. O profissional demandou alguns exames e ao checar os resultados, ele a orientou a procurar ajuda de um oncologista. 

“Eu nem sabia o que era um oncologista”, conta a cozinheira, “nunca tinha ficado doente”. Porém, ao realizar os exames, Lúcia foi diagnosticada com câncer na sua mama esquerda. “Eu não conhecia o câncer de perto, logo que recebi a notícia, tive a sensação que iria morrer”, conta. Ela lembra que não sentiu tristeza, porém a sensação mórbida a fez tomar algumas decisões. “Eu tinha acabado de mudar de casa com meu filho. Depois do diagnóstico, comecei a separar as coisas na casa que ele poderia precisar e a doar o restante”. 

Mas aos poucos, Maria Lúcia foi reagindo de uma forma bem contrária à sensação inicial. Ela conta que durante todo o tratamento, nunca tinha se sentido tão forte e decidida a continuar lutando pela sua vida. No total, foram uma cirurgia na mama, 21 sessões de quimio e 33 sessões de radioterapia. Sobre seu tempo no Hospital do Câncer, Lúcia fala sobre o Dr. Juliano, seu médico, com muito carinho e afirma que sempre recebeu todo o suporte necessário. “Eu fui e ainda sou muito bem cuidada lá dentro”, ela conta. Durante o seu tratamento, ela conta que iniciou uma oficina de fotografia oferecida pela artista e voluntária do Hospital do Câncer, Cintia Guimarães, que mudou sua forma de enxergar a fase que estava vivendo. “Eu esqueci que estava com câncer. A gente viajava para vários lugares, aprendemos a fotografar, foi incrível”, lembra. 

Atualmente, Maria Lúcia está curada de seu câncer e realiza o acompanhamento no Hospital do Câncer em Uberlândia. Ao se descrever como mulher, ela traça um paralelo: “Antes eu me considerava uma mulher muito batalhadora e que esquecia da minha própria dor para curar a dos outros. Hoje, depois do câncer, eu sei que sou tudo isso tudo, mas sou capaz de melhor com mais carinho e com prioridade. Eu me amo mais”. 

A história de Maria Lúcia é uma entre as centenas de histórias de mulheres que entram e saem do Hospital do Câncer em busca de lutar pelas suas vidas. Existem aquelas que iniciam suas jornadas de cura, as outras que abraçam o câncer como parte de suas jornadas, diferentes encontros que representam a pluralidade da mulher. No Dia Internacional da Mulher, o Hospital do Câncer em Uberlândia e o Grupo Luta Pela Vida desejam uma vida de muito respeito, reconhecimento, pertencimento e amor a todas vocês.

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