Dona Iolanda: uma mulher pronta para combater o câncer

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Documento (1)Em um prédio em Uberlândia, ela descansa na varanda de seu apartamento. No alto de seus 83 anos de vida, ela tem muito mais histórias para contar do que somente relembrar sobre a mocidade e a vida em família. Iolanda Freitas tem uma trajetória cheia de garra e sensibilidade, características bem típicas da personalidade feminina. A professora foi uma das fundadoras do Grupo Luta Pela Vida, ONG que foi e é responsável pela construção e manutenção do Hospital do Câncer em Uberlândia.

Durante toda sua vida ela foi dedicada ao próximo, seja dentro das salas de aula, seja se sensibilizando com o sofrimento alheio. Possivelmente esse olhar tenha motivado o então amigo e hoje um dos diretores do Grupo, Clóvis Albuquerque, ainda em meados dos 90, a convidá-la para fazer algo pelos pacientes com câncer em tratamento em Uberlândia. Os dois amigos sabiam o que era ter um ente querido enfrentando a doença. Clóvis acabou por perder sua esposa e Dona Iolanda viu também sua irmã partir por causa do câncer. “Até hoje não sei se tudo começou pela minha amizade com o Clóvis ou se porque nós dois dividíamos a mesma dor”, conta.

A preocupação dela e do amigo era com as condições de tratamento dos pacientes na época. Uma pequenina casa alugada próxima ao Hospital de Clínicas, sem grandes estruturas, na qual adultos e crianças acabavam tendo que ser atendidos juntos. Isso tudo indignou Dona Iolanda, Clóvis e mais um grupo pequeno de amigos e empresários que decidiu fazer algo pelos pacientes com câncer. Nascia ali a primeira semente do Grupo Luta Pela Vida, com o intuito de construir um Hospital para o tratamento da doença. O início difícil, Dona Iolanda não esquece. “No começo de tudo fazíamos tudo para arrecadar fundos, recolhíamos latinhas de festas para revendermos, fazíamos jantares, sorteios de carros”, conta.

Passado: o pequeno espaço apertado e sem as estruturas necessárias eram o que faziam Dona Iolanda lutar para melhorar
Passado: o pequeno espaço apertado e sem as estruturas necessárias eram o que faziam Dona Iolanda lutar para melhorar
Presente: leitos modernos e equipados acolhem os pacientes do Hospital do Câncer em Uberlândia atualmente
Presente: leitos modernos e equipados acolhem os pacientes do Hospital do Câncer em Uberlândia atualmente

A garra de Dona Iolanda conduziu todos os momentos do trabalho. Seu tempo livre era dedicado ao Grupo. As reuniões com o reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com os oncologistas na época, tudo com o intuito de fazer o possível para alcançar o objetivo de melhorar a vida dos pacientes com câncer. Questionada se em algum momento diante das dificuldades do projeto ela pensou em desistir, Dona Iolanda é categórica. “Nunca pensei que não iria dar certo, porque tínhamos muita fé em Deus e confiança no que estávamos fazendo”, afirma.

Uma mulher múltipla e proativa, Dona Iolanda esteve presente em várias atividades no Hospital do Câncer e no Grupo Luta Pela Vida. Além de participar da diretoria, ela ajudava na organização de ações especiais, foi gerente da loja que o Grupo manteve por um bom tempo no Center Shopping e ainda foi a responsável pelo acervo de obras de arte que enfeitam os corredores do Hospital do Câncer. Com o aniversário de 15 anos do Hospital, Dona Iolanda celebra que toda a luta valeu a pena. “Da última vez que estive lá até me perdi de tão grande. Tenho muita satisfação em saber o que conseguimos fazer”, conta.

Documento (1) (2)Dona Iolanda, professora, primeira secretária de cultura de Uberlândia, uma das fundadoras do Grupo Luta Pela Vida, afirma que sempre foi muito firme e rigorosa, mas que fazia tudo com muita doçura, aspectos que a ajudaram a conduzir todos os caminhos de sua vida. Para ela, a sensibilidade feminina e o amor maternal são características importantes que ajudam na luta contra o câncer. “A dedicação feminina deste momento é imprescindível. O carinho e o cuidado da mulher com certeza ajudam a superar a doença”, afirma.

No Dia Internacional da Mulher, Dona Iolanda afirma que ser mulher significa lutar e se dedicar sempre, no trabalho e na vida pessoal, sendo boa mãe, boa amiga e carinhosa. Dona Iolanda ainda fez questão de deixar um recado para todas as mulheres que enfrentam o câncer: “Nunca desistam do tratamento, tenham fé em Deus e muita força para lutar”, completa.

Por Carolina Tomaz
Fotos: Arquivo

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