Entre idas e vindas a Uberlândia – a história de Lara

“Eu sentia muita dor de cabeça e estava vomitando”. Estes foram os primeiros sintomas que a pequena Lara, de seis anos, recorda de sentir em fevereiro deste ano. Os sinais fizeram com que Tuane, mãe de Lara, buscasse ajuda médica, ainda sem entender muito o que estava acontecendo. “O médico achou que era encefalite, mas antes de receber alta do hospital que ela estava, eu disse que não iríamos embora com ela passando mal. Neste momento, foi pedido um exame de imagem que detectou que ela estava com um tumor”, lembra Tuane. Lara foi diagnosticada com meduloblastoma, um tipo de câncer que invade o Sistema Nervoso Central e é muito frequente na população pediátrica. Em poucos dias desde os primeiros sintomas, veio o resultado e, horas depois, uma cirurgia na cabeça para a retirada do tumor.

Para quem vê a Lara mais de seis meses depois do início de tudo nem imagina o que aquela pequena criança já tem de história. Tuane relata que a filha nunca recusou o tratamento, mas fez o contrário, já que sempre se esforçou muito para ficar bem logo. “Quando descobrimos, contamos direto para ela. Ela é muito entendida, muito esperta, então não ia adiantar eu dar voltas sobre o assunto. Então expliquei a ela como seria e ela aceitou muito bem”, esclarece a mãe de Lara. A criança que antes se divertia por Araguari, cidade natal, precisou colocar na sua rotina as viagens a Uberlândia para que fosse tratada no Hospital do Câncer da cidade. Assim começou o tratamento, que passaria por sessões de radioterapia e atualmente de quimioterapia.

7h30 da manhã, em um dia de tratamento, lá estava ela, com um sorriso no rosto e uma linda faixa de flor rosa com verde na cabeça, entre outras várias crianças, se divertindo na brinquedoteca do Hospital. O brinquedo escolhido para começar o dia também serviu como uma dica para nossa conversa. Enquanto Lara se divertia com o Quebra Gelo, ainda tímida de contar um pouco sobre o que tinha passado, ela comentou que já tinha várias amizades no Hospital. “Eu faço amizade com todo mundo aqui, até com as pessoas grandes”.

Não dá para discordar dessa fala de Lara, já que em poucos minutos ela me tratava como se fossemos amigas há tempos. E foi no meio da brincadeira de mercadinho que ela falou o que deseja ser quando crescer. “Eu quero ser doutora e polícia. Doutora é por conta da mamãe e polícia porque o vovô é”, explica Lara, que também comenta que aos tratamentos costumam ser acompanhados desses seus dois familiares.

Nos últimos meses, os longos dias dentro do Hospital se tornaram parte do que esse momento da vida representa para a Lara. Algumas coisas podem até ter mudado para essa garotinha, mas o sorriso no rosto e o alto astral continuam ali. Lara ainda faz o alerta para que não erre na hora de escrever: a flor da faixa na cabeça pode até ser rosa e verde, mas a cor preferida dela é o azul, igualzinho o céu, que ela observa da janela da brinquedoteca e que a acompanha em todas as idas e vindas a Uberlândia.

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