Grupo Luta Pela Vida promove evento em celebração ao Dia Mundial de Cuidados Paliativos

Quando se fala em Cuidados Paliativos, é comum nos depararmos com duas formas de pensar das pessoas, o não conhecimento ou a ideia negativa do fim. Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, o cuidado paliativo “previne e alivia o sofrimento, através da identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais ou espirituais”. Mas, na prática, os cuidados vão muito além dessa definição. Por isso, todos os anos, mais precisamente no segundo sábado de outubro, a The Worldwide Hospice Palliative Care Alliance – WHPCA, elege um tema para trabalhar nas campanhas de conscientização sobre os cuidados paliativos em todo o mundo. Em 2022 o tema é: Curando Corações e Comunidades.

O objetivo da campanha é quebrar os tabus sobre os cuidados paliativos e mostrar o quão importantes são para os pacientes e, principalmente, para as famílias. Receber cuidados paliativos não significa que não haja mais nada a ser feito pelo paciente. Pelo contrário, identificar o paciente como paliativos significa, entre outras questões, modificar o tratamento padrão. Uma vez que o diagnóstico é de uma doença crônica grave, que ameaça a vida, logo uma equipe multidisciplinar, juntamente com os profissionais especialistas na enfermidade, irão cuidar de quem está doente e daqueles que o cercam.

Curando Corações e Comunidades

Mais do que tratar os sintomas, a equipe multifuncional de cuidados paliativos entende que uma doença grave atinge não só o paciente, mas também aqueles que o amam. Por esse motivo, seu papel é cuidar de todos. Daí a importância de incluir enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, capelães, assistentes sociais, entre outros profissionais, para dar conta de uma extensa demanda de necessidades.

Além disso, um espaço que seja pensado para esse fim é fundamentalmente importante, principalmente para desmistificar a ideia de hospital e ambulatório. Espaços como o Centro de Cuidados Paliativos Oncológicos – CCPO do Grupo Luta Pela Vida são exemplos do foco no bem-estar do paciente paliativo. O espaço conta com capela, jardins, área verde, espaço para tomar sol, cozinha, e espaço comum, tudo isso com acessibilidade para cadeirantes e macas.

E é graças a um espaço assim que ações em maior escala podem ser promovidas para os familiares e pacientes com foco na recreação. Como, por exemplo, o encontro realizado no CCPO na primeira semana de outubro para celebrar o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. O evento reuniu pacientes e familiares em uma manhã de música, danças, mensagens e outras atrações tanto de conscientização quanto de cultura.

A Família

Para Darli, que viveu os últimos dias de seu esposo no CCPO, a atenção dada os familiares é o grande destaque. “Eu acho muito importante essa interação em um momento de tanta tristeza para as pessoas, muita fragilidade e isso alegra a gente.  Aqui é muito bom, meu marido faleceu aqui e no período ele foi muito bem cuidado e eu agradeço muito a todo mundo que trabalha aqui, sem eles o sofrimento seria muito pior”, comenta.

História parecida com a do senhor Osvaldo, que ficou 28 dias hospedado no CCPO acompanhando sua esposa no cuidado paliativo. Para ele, as pessoas precisam conhecer mais o centro para saber como o trabalho desenvolvido é importante. “Muitas das pessoas não sabem da importância que é um evento assim, tanto para promover mais alegria e interação com os pacientes, mas também para lembrar a gente que esse lugar existe e que é perfeito. Eu posso dizer que passei momentos difíceis aqui, mas foram muito gratificantes. As pessoas têm preconceito ou medo, ou não aceitam a morte e aqui a gente recebe conforto no coração”.

A equipe multifuncional

É importante lembrar que o foco do tratamento paliativo não é ignorar a gravidade de uma doença. Receber esse diagnóstico é muito angustiante e costuma vir acompanhado, além dos sintomas físicos, de questões profundas de ordem social, psicológica e espiritual. Um diagnóstico difícil revisita questões como o medo da morte, a apreensão em deixar a família desamparada, conflitos do passado e até problemas de ordem prática, como o afastamento do trabalho e a consequente queda de renda, entre outras. Por isso, as equipes multidisciplinares do CCPO possuem como objetivo a humanização, como explica a enfermeira Lara de Andrade Marques.

“A importância desse tipo de evento é, literalmente, a humanização, é conseguir colocar em prática a forma de alegrar os pacientes que às vezes já estão tão debilitados, porque, por mais que a gente procure fazer nosso trabalho da melhor forma possível, aliviar as dores e trazer conforto, a felicidade genuína ainda é mais difícil. O sorriso, esse não e por meio de medicamentos que a gente consegue dar. Então poder vê-los reunidos, ouvindo música, sorrindo, ver que as famílias também estão aqui e estão bem na medida do possível e o exemplo mais puro da humanização”, explica Marques.

Para finalizar, Paula Andréa Junqueira, médica no programa de cuidados paliativos, explica que o momento é um chamado às políticas públicas. “O dia mundial de cuidados paliativos é um momento de divulgação, para que a gente possa comunicar para a comunidade o que são os cuidados paliativos e a importância desse serviço e incentivar políticas públicas para manter esse funcionamento”, finaliza a médica.

A Luta continua

O Grupo Luta Pela Vida vem, desde 1996, buscando promover uma melhor qualidade de vida para quem está em tratamento oncológico, seja em Uberlândia ou nas mais de 70 cidades vizinhas. Tudo isso só é possível graças a solidariedade da população e apoio empresarial. Nosso objetivo é promover aos pacientes e familiares todo conforto, carinho, atenção, amor e, principalmente, humanização.

Seguimos sempre, juntos na luta pela vida.

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