O espetáculo de lutar pela vida – a história de Maria Cleonice

A história de vida de Maria Cleonice Marcolina da Silva resgata a memória do brasileiro batalhador, nascido e criado no interior do país no século passado. Pertencente a uma época em que a juventude era ocupada em sair no mundo em busca de oportunidades na vida, ela sempre teve tempo de sonhar e viver intensamente cada oportunidade que tinha de amar as pessoas e as histórias que a atravessavam.

Nascida na Bahia, criada na região imersa nos espetáculos da natureza de Cavalcante, em Goiás, a moça de 72 anos criou os filhos em Formosa, também no estado goiano, e se mudou para Uberlândia para perseguir um sonho do marido de se reconectar com a família. E mesmo depois dessa jornada por uma parte do Brasil, ela conta que teve a oportunidade de conhecer a outra parte acompanhando o marido nas viagens de caminhão, na qual ela define como os melhores momentos de sua vida. Maria Cleonice é a típica mãezona que sempre estica o braço para caber mais um, e mesmo com tanto amor para dar a quem considera sua família, ela assume: “a dança é meu ponto fraco”. 

“Eu sempre amei dançar. Íamos eu e meu marido e quando a gente chegava no salão, ele ficava sentado eu ia dançar sozinha”, lembra, “certa vez uma coordenadora do salão chegou até mim e me disse que todos tinham votado em mim como a melhor dançarina do lugar”. Ela conta esse episódio com muito orgulho, mas em seguida é tomada por um sentimento de tristeza já domesticado. Maria Cleonice perdeu o seu companheiro de vida há exatos 8 anos para um câncer no fígado, situação que a deixou profundamente depressiva, e foi na dança que se reconectou com a luz: “um dia meu filho pediu para eu me arrumar e me levou para o mesmo salão que nós íamos sempre. Chegando lá, ele estava me abraçando, quando pediu para a coordenadora do lugar me ajudar a viver novamente. Naquela tarde, eu dancei chorando o tempo todo”. 

Exatos quatro anos depois que o câncer levou seu marido, Maria foi diagnosticada com a doença. “Eu já estava incomodada e queixava de algumas coisas para meu médico na época, mas ele não quis seguir com exames. Certo dia, fiz uma viagem com meu filho e lá tive uma hemorragia, voltamos e já fomos direto para o médico”, lembra. O resultado chocou os filhos de dona Maria Cleonice, ela estava com um tumor no reto e precisava de cirurgia e tratamentos urgentes, aqui começa sua história com o Hospital do Câncer em Uberlândia. 

“Eu aceitei tudo o que aconteceu comigo. Sempre uni a minha fé com a medicina e foi assim que me fez aceitar tudo”. No Hospital do Câncer em Uberlândia, ela afirma que encontrou uma nova família. “Se eu estou me aceitando e me cuidando, é porque estou tendo um apoio. Não é fácil, mas eu sou dura na queda”, conta com alegria. Após a cirurgia que retirou o tumor que estava em seu reto, a equipe médica identificou que a doença havia ocupado o pulmão de dona Maria. E sua batalha ganhou um novo capítulo. 

Maria Cleonice, no auge dos seus 72 anos, faz questão de passar um bom batom vermelho para ser fotografada.

No final do ano de 2020, ela e sua família descobriram que a matriarca estava em cuidados paliativos. “Quando me falaram sobre isso, me deu a mesma sensação de sentença de morte quando fui diagnosticada. Levei um susto”, em seguida, ela conta que foi conversando com os profissionais do Hospital e descobrindo que os cuidados paliativos são muito além disso, “eu estou tratando uma doença crônica, assim como trato a diabetes e a hipertensão há muito anos. Não quer dizer nada além disso”. 

Dona Maria Cleonice conta que são nesses momentos difíceis, que a gente descobre muita coisa, “eu não sabia que eu era tão amada pelas pessoas. Isso me dá uma força enorme”, e termina dizendo que “enquanto tiver vida para viver, eu quero ser feliz, amar, quero que essa pandemia acabe para eu poder abraçar os meus”, e cai na gargalhada. 

Maria Cleonice sempre fez da vida seu espetáculo de dança e, mesmo ganhando prêmios por ser uma dançarina que guia os próprios passos, sabe que não dança mais só. Nesse novo palco de sua vida, ela conduz o espetáculo e nós, amigos, conhecidos, familiares e profissionais do Hospital do Câncer em Uberlândia, estamos na plateia sentindo seu amor e aplaudindo cada movimento coreografado pelos direcionamentos de sua jornada. 

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