O exercício do amor – a história da voluntária Sandra

“Eu me fortaleci como ser humano. Entendi que ser voluntário não é você fazer aquilo que sabe, mas sim fazer o que precisa que seja feito, com humildade, com amor”, conta Sandra Gabellini, que há 10 anos desempenha o belo ato de ser voluntária. A vontade de participar surgiu no início da década passada de muito ouvir falar sobre o lindo trabalho desempenhado pelo Grupo Luta Pela Vida no Hospital do Câncer. O desejo de pertencer se fazia latente dentro de Sandra, até que, em 24 de agosto de 2011, a dedicação para este trabalho se tornou real. 

Sandra lembra de ter ido até o Hospital, procurado a secretária da ONG na época e preenchido o formulário de inscrição. Naquele momento, faltava pouco para que ela começasse a passar muitas horas da semana dentro da instituição de saúde. “Após alguns meses, me ligaram para participar do treinamento, pois haviam algumas vagas. Me encantei ainda mais quando conheci a história e passei a vivenciar todo esse movimento de amor ao próximo”, comenta. 

E foi entre as diferentes equipes de voluntários, que a história da Sandra foi sendo escrita. Primeiro a equipe de Acolhimento, em que assumiu a coordenação em 2012. No ano seguinte ingressou no NUPPPEC (Núcleo de Projetos, Prevenção e Pesquisa em Câncer). Depois, por um período de um ano, divertiu o Hospital junto com a equipe do Entretenimento. “A convite da minha querida amiga Regina Ribeiro, me juntei a um dos grupos da equipe do Entretenimento, onde nos vestíamos de palhacinha para divertir e brincar com os pacientes”, recorda a voluntária, que por fim também entrou na equipe de Eventos. 

A voluntária, que atualmente participa ainda das equipes de Acolhimento, NUPPPEC e Eventos, reforça que o voluntariado possibilita que se tenha sentimentos diversos e que se marque várias histórias emocionantes na memória. “Teve uma paciente com a qual conversei por uns 20 minutos apenas, mas tempo suficiente para ela contar um pouco da sua trajetória. Era uma moça bem jovem, de no máximo, uns 21 anos. A vida dela, desde menina, foi marcada por muitas perdas e lutas: sozinha, sem família. No entanto, ela tinha uma alegria de viver, uma confiança e tranquilidade na maneira de encarar a vida que me inspira até hoje.”

O voluntariado é uma lição também. É aprender que mais do que doar o tempo, o voluntário doa um auxílio, um ombro amigo, torna-se um anjo. “Anjo. Essa é a palavra que mais, nós voluntários, ouvimos dos pacientes… por que somos bonzinhos? Não, longe disso. Se você for pesquisar sobre o papel de um anjo, verá que, dentre muitos, é auxiliar na segurança e proteção, estar ao lado de quem precisa”. Para Sandra, o voluntário é como qualquer pessoa que, independente das razões que nos move individualmente, por pelo menos quatro horas, deixa de lado o próprio ego em benefício de nosso semelhante. 

O desejo de Sandra é que sintam que ela está ali para que, de alguma forma, o paciente possa se sentir melhor. “Para mim, servir é exercitar o amor. Como sou falível e não consigo fazê-lo cem por cento como precisava, o faço a conta-gotas na esperança de um dia o ser ao invés de apenas exercitar.” Sandra é um dos mais de 420 voluntários do Grupo Luta Pela Vida que trabalham incessantemente em prol do paciente oncológico e que trazem ainda mais humanização para a instituição. 

Rolar para cima