O início da luta pela vida – a história de Dr. Eurípedes Barra

“No início de tudo, quando decidi qual especialidade seguir, outros médicos chegavam em mim e questionavam ‘como você vai entrar em uma especialidade que não tem cura?’”, conta Dr. Eurípedes Barra sobre o momento em que decidiu seguir a oncologia na década de 1970 em São Paulo. A escolha, que um dia gerou dúvidas aos colegas de profissão, levou o oncologista a ser um dos principais atores do desenvolvimento oncológico na região do Triângulo Mineiro. 

O primeiro encontro com a medicina do atual diretor-chefe do Hospital do Câncer em Uberlândia foi muito mais amistoso do que se esperava. “Na minha juventude, a escolha pela profissão era uma coisa muito restrita”, ele conta, “a minha opção pela medicina se deu pela afinidade que eu sempre tive com o cuidado com o ser humano”. Ele cursou a graduação na cidade mineira de Uberaba, porém, logo no início, já começou a estreitar laços com São Paulo, cidade que iria abrigar sua atuação profissional durante bons anos. 

Após a graduação, ele iniciou a residência em radioterapia na oncologia do Hospital Sírio Libanês, conceituado hospital na capital paulista. Dr. Barra lembra que todas as inovações que estavam surgindo sobre o câncer animavam aquele curioso jovem que estava em busca de novidades na medicina, “eu queria alguma coisa nova. Lembro que o primeiro aparelho de radioterapia no Sírio Libanês foi inaugurado em 1971, eu iniciei a residência em 1974”. Ao passo de que as novidades na área animavam os profissionais da saúde, o contexto geral oncológico naquela época beirava a calamidade. 

“No começo da década de 1980, o nível de cura para câncer no país não passava de 30%. Era uma triste realidade em que, ao descobrir que estavam com câncer, as pessoas assinavam uma sentença de óbito”, conta Dr. Barra sobre a realidade vivida por ele e por colegas daquela época. Segundo ele, as evoluções no tratamento oncológico aconteceram depois de intercâmbios de médicos de outros países no Brasil: “eu tive o prazer de ter aula com especialistas fundadores da oncologia moderna, que desenvolveram práticas usadas até hoje”. 

Após se especializar em radioterapia, Dr. Eurípedes Barra continuou sua atuação como oncologista no corpo clínico do Sírio Libanês, porém, seu destino já estava escrito na sua terra natal. “Eu já sentia vontade de voltar para o Triângulo Mineiro por motivos pessoais. Durante uma visita ao meu pai, em Uberlândia, o Dr. Fredstone apresentou o projeto de criação da sala de oncologia no Hospital de Clínicas da UFU e me convidou para participar”, ele lembra. Em 1985, o Dr. Barra se tornou um dos primeiros oncologistas do HC. O início, como se imagina, não foi fácil. O atual diretor-chefe lembra que os pacientes mais graves ficavam na ala Cirúrgica 3 do HC, “dentro da sala, existia uma lata com óleo quente queimando continuamente para diminuir o odor fétido que o local exalava”. 

De lá para cá, Dr. Barra viu o setor oncológico deixar de ser uma sala de 200m² para comandar um dos principais centros de tratamento do câncer no país. “Não existe nada melhor que poderia acontecer na área oncológica na nossa região do que o Hospital do Câncer. Veja bem, nós vamos inaugurar um Centro Cirúrgico que realiza procedimentos de vídeo, com luz fluorescente. Só os melhores hospitais do país possuem essa tecnologia. E o melhor de tudo, é gratuito.”

Dr. Eurípedes Barra é, sem dúvidas alguma, um dos principais atores do desenvolvimento na área de tratamento oncológico do Triângulo Mineiro e região. No auge dos seus 75 anos e com uma brilhante atuação como diretor-chefe do Hospital do Câncer em Uberlândia durante a maior crise sanitária que o nosso país já viveu, ele visita sua história que facilmente pode ser confundida com o progresso do tratamento contra o câncer no Brasil. Quando questionado sobre o legado que quer deixar, sua primeira resposta diz muito sobre a integridade do profissional: “É o legado de uma equipe, não só meu”. Mas completa: 

“Olhando do início, eu não esperava que atingiríamos resultados tão grandes. Fui muito mais distante do que eu achei que iria. Paralelo a tudo isso, criei três filhos que escolheram a medicina, formei vários médicos residentes que estão espalhados por todo o país… Sou muito feliz com tudo isso, evolui o máximo que pude, com o máximo de honestidade que pude”, e finaliza: “Chego na reta final da minha vida com a certeza de que acertamos em dedicar tanto amor nessa instituição da forma que dedicamos”. 

Dr. Eurípedes Barra não é só a assinatura do homem que fortaleceu o Hospital do Câncer em Uberlândia como uma das principais instituições de tratamento oncológico do país, mas também a imagem da integridade, profissionalismo, respeito e paixão refletida numa história que possui uma legião de admiradores e aprendizes.

Rolar para cima