Protagonista da sua história: Sandra é símbolo de coragem

“Eu tinha acabado de completar 40 anos quando fui diagnosticada”. E foi em uma consulta de rotina com sua ginecologista, em junho de 2018, que Sandra Casonato descobriu que estava com câncer. Ainda entrando na idade que muito é dito sobre a importância de iniciar os exames de rastreamento como a mamografia, foi pelo toque da médica que as primeiras impressões de que algo não estaria certo foram tidas. “Minha ginecologista apalpou minha mama e percebeu um nódulo. No primeiro momento achei que não fosse, que seria um cisto, algo normal, mas aí os exames foram sendo feitos, evoluindo, até que a biópsia diagnosticou que eu estava com câncer”, relembra.

Saber que teria que passar por todo o processo de tratamento contra o câncer, ainda aos 40 anos, foi um choque, mas Sandra comenta que a sensação era que ela tinha que ser forte… e foi. “Eu levei dois meses para chorar a primeira vez, até que você conta para todo mundo, que você entende. No primeiro momento me assustou muito, eu tinha muito medo de perder a mama, isso para mim já era um problema”.

Foram esses dois meses que separaram a consulta de rotina que Sandra diz ter salvado sua vida à realização da cirurgia. O procedimento foi o primeiro passo no tratamento e fez com que o receio de perder toda a mama estava também ligado ao sentimento de não conseguir se olhar no espelho e não se sentir mulher mais. Mesmo com essas inseguranças no começo do tratamento, dois anos depois do início de tudo, Sandra define este momento como um renascimento. “Eu acho que eu tive a chance de rever muita coisa da minha vida, inclusive o auto amor. Às vezes a gente vai se deixando para trás, o dia a dia, filhos, trabalhos e aí vai negligenciando a saúde, o estilo de vida, as emoções. O câncer foi um divisor de águas na minha vida, então hoje eu me cuido mais, eu me amo mais”, expõe.

E foi durante o tratamento, com o início da quimioterapia, que outra vaidade feminina se colocou a prova. “Eu comecei a quimioterapia e após a quarta sessão meu cabelo caiu mesmo. Foi um momento muito difícil, a gente escuta que cabelo cresce, mas a hora que você se olha no espelho daquele jeito, você não se reconhece, é um momento de desconstrução mesmo”. Para lidar com essa situação, Sandra fez cursos de automaquiagem, comprou lenços e, com a ajuda da filha, colocava cílios postiços para sair. “Quando se está de fora, só se fala que está dando importância para o cabelo e não para a vida, e é muito difícil, mas minha família me apoiou muito, meus filhos”, recorda.

Foram meses de quimioterapia, as sessões de radioterapia, um ano de uma medicação especifica para seu tipo de câncer até que um outro desejo se concretizou. Por conta do tratamento, mesmo não sendo algo que Sandra queria, ela precisou se afastar do trabalho e, assim que tudo passou, o retorno tão esperado aconteceu. “Depois de um ano afastada, a gente vive um outro fantasma. Eu tinha muito receio, será que eu vou ter aquela disposição de antes, e aí a gente vai vencendo. Então eu consegui voltar e mostrar o valor que eu tinha como profissional, já que também sabemos que muitas mulheres não conseguem retornar ao trabalho. Então estou vencendo assim, é uma luta diária e agora é cuidar”, pondera.

Com todas as lutas enfrentadas, Sandra comenta que foi um ano de muito ressignificado para mim, então quis tatuar na pele o laço símbolo da campanha de Outubro Rosa e deixar marcado que isso realmente foi um divisor de águas em sua vida.

 Com uma tatuagem na pele, Sandra mostra como transformou a doença, em renascimento. Por isso, Sandra é símbolo de coragem e é protagonista da própria história.

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