Tal pai, tal filha: amor pelo trabalho voluntário

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IMG_0619aNão tem nada mais normal do que ver um filho imitando as atitudes do pai. As crianças geralmente vão torcer para o mesmo time do pai, querer seguir a profissão dele ou ouvir o mesmo estilo musical. Na infância isso é bem forte, mas à medida que as crianças crescem algumas escolhas vão mudando.Entretanto, para Letícia Beckher, filha de Severo Silva, essa ideia não parece se aplicar na realidade dela. Mesmo depois de adulta as atitudes e escolhas do pai ainda influenciam a sua vida, e com o trabalho voluntário não foi diferente.

Por ver o Seu Severo dedicando seu tempo e carinho aos pacientes com câncer foi que ela também se tornou, há cinco meses, voluntária do Grupo Luta Pela Vida. “Na minha família ajudar o próximo sempre foi algo muito importante e ver meu pai fazendo o trabalho solidário aqui no Hospital do Câncer foi parte fundamental para que eu também me tornasse voluntária”, afirma Letícia.

O trabalho voluntário de Seu Severo, que carrega a braveza só no nome, começou bem antes de sua filha iniciar o trabalho voluntário. Em 2008, Seu Severo esteve pela primeira vez em contato com o voluntariado do Grupo Luta Pela Vida ao acompanhar um paciente em tratamento no Hospital do Câncer em Uberlândia. “Antes eu já conhecia o trabalho, mas depois que estive aqui acompanhando um parente em tratamento eu percebi que o trabalho voluntário no Hospital era muito maior do que eu conhecia. Eu vi de perto como os voluntários se doam para os pacientes. Então eu me senti tocado em também ajudar a fazer parte de tudo isso”, diz o voluntário.

A paixão pelo som da viola foi o caminho que Seu Severo escolheu para contribuir com os pacientes. Entrou no conservatório de música, aprendeu a tocar o instrumento que tanto o encantava na infância e, desde 2011, é voluntário da equipe da Música. “Eu me sinto muito feliz realizando esse trabalho. É o mínimo que eu posso fazer é ajudar o meu próximo. Passar pelo diagnóstico do câncer é muito difícil, então o trabalho do voluntariado é justamente tentar amenizar um pouquinho tudo isso. Aquele momento em que tocamos as músicas nos corredores é como se os pacientes não lembrassem da doença. É um remédio de alegria”, afirma Severo.

Letícia e Seu Severo juntos para o trabalho voluntário no Hospital do Câncer
Letícia e Seu Severo juntos para o trabalho voluntário no Hospital do Câncer

Com todo esse exemplo em casa, Letícia passou a cogitar a também ajudar os pacientes. “Eu sempre quis ajudar e com o exemplo do meu pai e conhecendo algumas outras amigas que também são voluntárias, um dia eu acordei e falei para o meu pai que queria ajudar”, conta Letícia. Desde então, ela é voluntária na equipe de Recepção, às segundas-feiras, mesmo dia em que seu pai também está no Hospital. Letícia comenta que ver a paixão do pai pelo trabalho voluntário é motivo de orgulho para ela e que esse amor a incentivou muito a participar também. “É muito bonito ver a paixão do meu pai pela música, por sempre se empenhar em ajudar os pacientes. É um trabalho muito gratificante, quero agora envolver todo mundo”, comenta.

Já para Seu Severo, o orgulho é ainda maior em ver a jovem filha seguindo seus passos de solidariedade. “O primeiro dia que eu a vi trabalhando ali na recepção do Hospital eu fiquei muito feliz e emocionado. Eu falo para as outras pessoas que ela é voluntária com muito orgulho. Aliás, eu falo do trabalho de todos os voluntários de boca cheia”, afirma. O exemplo de Seu Severo é tão verdadeiro que a filha mais nova está em fase de treinamento para também se tornar voluntária.

Para Seu Severo, que foi criado somente pela mãe, viver momentos de cumplicidade e companheirismo com a filha, como é no trabalho voluntário, são gratificantes. “O que meus filhos fazem comigo eu não pude fazer, então isso só me traz alegrias. Estar perto dos filhos e poder dizer ‘eu te amo’ é especial”, conta.

Questionado sobre o que mais admira na filha, Seu Severo afirma que ela tem o gênio bem parecido com o dele. “A Letícia tem várias qualidades, é uma filha muito afetiva e serena”, derrete-se o pai. Já para Letícia, a característica que mais gosta no pai é a honestidade. “Ele é muito correto. É engraçado ver como todos os ensinamentos que ele insistia em passar quando eu era criança foram importantes. Hoje eu tenho orgulho dele e meu crescimento. Tudo porque ele me ensinou”, completa Letícia.

Fotos: Carolina Tomaz

Para comemorar o Dia dos Pais, Seu Severo e sua filha Letícia prepararam a canção “Meu velho Pai”, para homenagear todos os pais. Confira:

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Letícia ajuda o pai a ensaiar a canção
Letícia ajuda o pai a ensaiar a canção

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