Trabalho em crochê de pacientes e acompanhantes enfeita árvores do Hospital do Câncer

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voluntarias arvore ponto a ponto miniaturaQuem passa pela Rua Pedro Quirino, ao lado do Hospital do Câncer, tem encontrado as árvores do local bem diferentes. Desde a última terça-feira (09), os troncos das árvores foram envolvidos com uma espécie de ‘capa’ confeccionada com mandalas coloridas feita em crochê.

A ação faz parte do projeto “Ponto a Ponto”, nova iniciativa do Apoio Pedagógico Artístico e Cultural, que tem no crochê a nova ferramenta para trazer arte e alívio para enfrentar o tratamento do câncer. A ideia surgiu da voluntária e artista plástica Maria Clara Ferraz, que já conhecia algumas ações semelhantes adotadas em outros locais. “Estava em Buenos Aires e vi, em frente ao hotel em que estava hospedada, uma árvore linda enfeitada com crochê. Naquele momento já comecei a pensar em aplicar no Hospital”, conta Maria Clara.

A ideia recebeu apoio do coordenador do Apoio Pedagógico, Leonardo Almeida, que prontamente envolveu as voluntárias Alice e Nathalie Bondon, Sílvia Seabra e Patrícia Almeida na missão de fazer os entrelaçados dos barbantes se transformarem em verdadeiras obras de arte. Mas a função de fazer o crochê não poderia ficar restrita somente às voluntárias. Nada melhor do que contar com a ajuda de pacientes e acompanhantes. Elas então passaram a ensinar os pacientes em tratamento contra o câncer a fazer as mandalas multicoloridas em crochê. Pacientes adultos e infantis abraçaram a ideia e se divertiram com o novo projeto. Para a voluntária Alice Bondon, a oportunidade reavivou o prazer e o hábito de fazer crochê. “Ensinava para os pacientes com prazer. Alguns deles pediam para aprender. Até mesmo os homens participaram do projeto. Muitos se empolgaram tanto que faziam as mandalas em casa e depois as traziam para nós”, conta Alice.

A fachada do Hospital do Câncer ganhou um toque de alegria com os crochês multicoloridos (Foto: Carolina Tomaz
A fachada do Hospital do Câncer ganhou um toque de alegria com os crochês multicoloridos (Foto: Carolina Tomaz

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O crochê incentivou não só os pacientes, mas também a filha de Alice, a voluntária de 27 anos, Nathalie. “Comecei como voluntária em outro projeto, mas minha mãe acabou me chamando para ajudar no ‘Ponto a Ponto’ e aprendi a fazer crochê especialmente para colaborar com o projeto”, afirma Nathalie. A equipe de voluntários do Artesanato, coordenada por Vânia Maria, também contribuiu com doações para enfeitar as árvores.

Fazer crochê também mudou o dia a dia e a vida de Maria de Fátima Fagundes, que há três anos luta contra o câncer de colo do útero. A ideia de participar do projeto foi da oncologista com a qual Fátima se consultava, depois que a médica notou que a paciente começava a apresentar um quadro depressivo, ocasionado pela doença. “Tudo isso aqui foi uma bênção pra mim. Eu acho que todo paciente deveria experimentar essa oficina, porque ela é uma terapia que ajuda muito a gente”, conta a paciente. Mesmo sabendo fazer crochê desde muito nova, Maria de Fátima reaprendeu a técnica com ajuda das voluntárias e o artesanato se tornou uma válvula de escape para suportar momentos difíceis da doença. “Às vezes estou em casa, sentindo muitas dores, então começo fazer o crochê e esqueço a dor. É ótimo! Tenho indicado a oficina para todos os outros pacientes que conheço”, diz Maria de Fátima.

As árvores devem ficar enfeitadas por cerca de dois meses. O projeto continua e tem se multiplicado entre os pacientes. A reação dos pedestres tem diante da intervenção artística nas árvores tem sido positiva. O local agora se tornou ponto diferenciado no Hospital e tem arrancado sorrisos e produzido fotos e selfies que se espalham pelas mídias sociais.

Por Carolina Tomaz
Fotos: Carolina Tomaz

O sorriso de Maria de Fátima mostram como o crochê trouxe alegria durante o tratamento contra o câncer (Foto: Carolina Tomaz)
O sorriso de Maria de Fátima mostram como o crochê trouxe alegria durante o tratamento contra o câncer (Foto: Carolina Tomaz)
As voluntárias se reúnem semanalmente para fazer  crochê junto com os pacientes (Foto: Carolina Tomaz)
As voluntárias se reúnem semanalmente para fazer crochê junto com os pacientes (Foto: Carolina Tomaz)
Os voluntários posam, sorridentes, diante do trabalho que era sonho e se tornou realidade com ajuda dos pacientes (Foto: Carolina Tomaz
Os voluntários posam, sorridentes, diante do trabalho que era sonho e se tornou realidade com ajuda dos pacientes (Foto: Carolina Tomaz
Trabalho em equipe: desde a confecção até a montagem das mandalas na árvore, tudo foi feito de forma coletiva (Foto: Carolina Tomaz)
Trabalho em equipe: desde a confecção até a montagem das mandalas na árvore, tudo foi feito de forma coletiva (Foto: Carolina Tomaz)

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