Tratamento humanizado: você sabe o que esse termo significa?

Ao pensar em “hospital”, “clínica” ou “internação” muitas pessoas logo podem pensar em frieza, prontuário, protocolo, silencio e esquecer do tratamento humanizado, dentre outras coisas. Essa comparação é comum já que vivemos em um mundo tecnológico onde, cada vez mais, a medicina tem se tornado robótica e não tolerante aos erros.

Obviamente esse processo é de grande importância para o tratamento de doenças com mais precisão. Contudo, durante o período de internação de uma pessoa, é preciso trabalhar outras questões de sua vida que são maiores que a doença em si. Trata-lo pelo nome e não pelo diagnostico ou leito, ter interesse pela sua história de vida, sua biografia a ter empatia com ele e seu acompanhante, entender seus medos, aceitar suas crenças e valorizar seus desejos são fundamentais para que o tratamento tenha mais sucesso. A integração de todos esses processos é chamada de Tratamento Humanizado.

O que diz a especialista

De acordo com a Psicóloga do Grupo Luta Pela Vida, Patrícia Delfino, a humanização entra dentro de todo o ambiente hospitalar, dentro do ambiente de saúde.

“O cuidado médico também tem que ser humanizado aqui, é importante integrar o paciente. Então a gente busca sempre olhar o aspecto físico, social, espiritual, emocional e psicológico. Nosso foco é ver tudo do paciente. Isso é humanizar, é quando você consegue ver o Ser além da doença”, explica Delfino.  

Aprender e aplicar o tratamento humanizado se torna ainda mais importante no caso dos pacientes oncológicos. Infelizmente, mesmo com procedimentos realizados com perfeição, alguns casos não possuem garantias de cura. O que não quer dizer que o paciente não possa mais ter acesso à qualidade de vida, conforto e felicidade. Nas práticas mais humanistas, existe um direcionamento para essa qualidade de vida que não é concentrada apenas no paciente, mas se estende, também, para a família.

Ciência alinhada à prática

Sobre essa aprendizagem, Patrícia conta que não é apenas um trabalho intuitivo, pelo contrário, existe um eterno processo de aprendizagem e aprimoramento.

Temos uma cartilha da Associação Nacional de Cuidados Paliativos – ANCP,  que rege o que a gente faz aqui dentro. A gente se direciona através desse manual, ele é nossa base teórica para seguir aqui dentro. Nossa equipe passou por treinamento antes de começar nesse novo prédio, o tempo todo estamos lendo sobre isso, buscamos fazer cursos. Eu fiz uma pós em cuidados paliativos por exemplo”, explica a profissional.

Além da constante pesquisa, as equipes de cuidados do Grupo Luta Pela Vida possuem um cronograma de reuniões semanais com objetivo de analisar cada paciente para trocar informações e aplica-las nos tratamentos. Aprimoramos um diagrama de cada paciente para que seja preenchido pelos profissionais. Assim, cada profissional como psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, médicos e nutrólogos poderão acompanhar detalhadamente todos os aspectos físicos e emocionais de cada paciente e sua família.

Como explica Patrícia, “Tudo isso influencia para que a equipe saiba como trabalhar da melhor forma com o paciente. Esse trabalho em conjunto é a humanização do paciente. A gente tem esses momentos de reflexão. Além disso estamos sempre repensando as práticas, estudando novos meios”.

O papel da família

Ao falar do tratamento humanizado, a psicóloga lembra também da importância de envolver a família. Mesmo depois da partida de um ente querido.

“Faz parte do nosso trabalho entrar em contato com as famílias um tempo depois da partida. Para saber como estão, como tem sido a lida com o luto, se precisam de apoio, fornecer o ombro mesmo. E essas ligações só tem bons feedbacks e acredito que isso é por conta do que oferecemos aqui. Percebemos que temos qualidade né. Pra gente o mais importante é acolher o paciente da melhor forma. Ele e a família”, finaliza a psicóloga.

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