Vera Lúcia: serenidade e sabedoria para enfrentar o câncer de mama

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Se no passado a mulher era o sexo frágil, a cada dia mais essa ideia tem sido derrubada por terra. As mulheres cada vez mais têm buscado espaço, assumido os papéis que desejam, sendo profissionais, mães e guerreiras. Para algumas além de batalhar na vida e pelos filhos, o destino apresenta também uma batalha ainda mais importante: lutar contra o câncer. Essa é a luta que Vera Lucia Fernandes vem enfrentando um câncer de mama há dois anos.

A costureira de 55 anos descobriu, como muitas mulheres, o nódulo no seio por meio do autoexame. Por se descuidar da saúde e ter deixado de visitar o ginecologista por cerca de oito anos, um dia ela decide se tocar e, infelizmente encontra algo no seio que a deixa preocupada. O primeiro passo foi procurar o médico, que a princípio não acreditava que era algo grave, mas Vera insistia que havia alguma coisa. Por isso, veio a biópsia e o encaminhamento para o Hospital do Câncer em Uberlândia.

Nas primeiras verificações para o tratamento, constatou-se que no procedimento de biópsia já havia sido retirado o tumor como um todo na mama, mas foi detectada a metástase do câncer em duas glândulas próximas à axilia. Então era hora de enfrentar a quimioterapia e radioterapia. Vera já enfrentou 10 sessões de quimio e está no início das 30 sessões de radioterapia que ainda estão por vir.

Na conversa com Vera, a paciente fala abertamente sobre a doença e transparece calma e serenidade diante do diagnóstico. “ Quando eu recebi a notícia que tinha câncer não me passou pela cabeça a ideia de morte. No primeiro dia eu questionei muito Deus, tentando entender por que eu? Então eu parei para pensar: Por que não eu? Se é uma doença que atinge ricos, pobres, crianças e adultos eu não sou melhor do que ninguém para não ter câncer”, afirma Vera.

A costureira afirma que nada mudou em sua vida depois do diagnóstico. A mudança de sua vida veio com o câncer, mas que acometeu a mulher que ela mais admirava e amava: sua mãe. “Eu convivi com a doença por um ano e nove meses com minha mãe. Naquela época eu me transformei. Todos dizem que é uma Vera antes da morte da minha mãe e outra depois. Eu passei a dar valor ao que realmente é importante na vida. As brigas e as mágoas eu deixei para trás”, conta. Outra situação que marcou Vera durante a batalha de sua mãe foi ter podido aproveitar o toque e o afeto dela. “Eu e minha mãe não tínhamos o hábito do toque, do carinho. Durante o tratamento nós passamos a nos abraçar a nos olhar mais. Compensamos naquele momento o afeto de uma vida toda”, relembra.

Se com a mãe os carinhos e afetos só foram alcançados no momento de luta, com os dois filhos Lorena e Lucas, a costureira Vera faz diferente. “Eu não canso de beijá-los, abraçá-los e dizer eu te amo. Se alguma coisa acontecesse hoje comigo e com os meus filhos eu teria a consciência tranquila que falei e mostrei para eles todo o meu amor”, afirma. Com tanto carinho dado aos filhos, eles retribuem com companheirismo nesse momento da luta contra o câncer. Lorena, a filha mais velha, faz questão de acompanhar todo o processo no Hospital do Câncer. Já Lucas foi o responsável por raspar a cabeça da mãe quando os primeiros fios de cabelos começaram a cair. Toda essa harmonia e apoio faz com que a mãe e filhos consigam rir com a doença e até mesmo fazer piada das situações.

Com serenidade, Vera só carrega boas vibrações para finalizar o tratamento. A costeira já sabe o que vai querer fazer quando receber alta. “Vou fazer um churrasco bem animado com minha família e amigos para comemorar. Se quando eu terminei as sessões de quimioterapia eu já saí do Hospital dançando de alegria, quando estiver curada vou fazer muito mais”, fala Vera, com muita confiança.

Apesar de estar enfrentando um câncer na mama, parte do corpo tão importante para as mulheres e que muitas vezes causa tanto medo e insegurança, Vera deixa um recado de esperança para aquelas que estão entrando na batalha contra a doença agora. “Eu diria para a mulher que descobrir o câncer agora para não ter medo. Que ela não perca a fé e se agarre em Deus que essa batalha é só mais um momento que vai passar”, conclui a paciente.

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